
Diana caiu da cama quando tinha três anos de idade. Naquele dia descobriu um fantástico mundo que existia entre o estrado e o chão. A mãe dizia que a menina ficou seqüelada, o pai que isso era uma fase e depois que ela ficasse grandinha trocaria o chão pelos garotinhos do colégio. O tempo passou e a menina já adolescente continuava visitando o seu refugio favorito. A rotina era mais ou menos assim: do chão para qualquer lugar, de qualquer lugar para o chão e isso durou mais do que o pai previra. Até que um dia a família decidiu se reunir para uma conversa definitiva com a menina. Na mesa se encontravam os pais, os irmãos, os tios e avós. A priori, ela não entendeu muito bem a razão daquela cerimonia inusitada.
– Minha filha! – o pai iniciou a conversa. – Estamos muito preocupados contigo. Você já tem quatorze anos e tem as mesmas atitudes de quando tinha três anos de idade. Você não acha que passou da hora de mudar?
– Na verdade – interrompeu a mãe – decidimos que você está proibida de jogar-se ao chão! Você não tem doença alguma e sabe muito bem disso, não é mocinha!?
– Não é bem uma proibição. – tentou aliviar o avô – Queremos muito que você faça uma viagem, conheça outros lugares, outras pessoas. Não é saudável viver em uma rotina como a sua, sem falar que vive toda machucada.
Diana, não disse palavra. Ficou observando aqueles com quem convivera a vida toda. Sabia exatamente o que cada um representava em sua vida. E sabia mais: sabia que o pai as vezes entrava na dispensa de comidas e ficava horas e horas lá dentro com a empregada. Sabia que a mãe deixava o jardineiro da casa apalpar seus seios quando não tinha ninguém por perto e também que os irmãos fumavam maconha quando os pais não estavam em casa. O avô já não tinha segredos, todos sabiam que era um viciado em jogos de azar e um assíduo freqüentador de cassinos. Mas alguém teria que pagar pelos pecados da família e nada mais justo que fosse ela. Afinal, jogar-se ao chão é um erro imperdoável: pior do que cometer adultério ou ser um viciado em jogatinas e drogas.
– E então, minha filha. – prosseguiu o pai. – Não tem algo para dizer?
– Vocês estão certos. Tenho que crescer e para isso, nada melhor do que dar um fim aos meus péssimos hábitos. – Diana olhava nos olhos de cada um naquela mesa.
– Eu não disse que minha netinha já tinha crescido há muito tempo! – gritou o avô com a boca cheia de comida.
– Assunto encerrado, então! E nunca mais quero ouvir cometários sobre suas supostas quedas, certo mocinha? – ameaçou a matrona da família.
– Certo, mãe!
No quarto uma menina retoma seu esconderijo predileto
E isso era segredo dela
Enquanto o mundo com suas máquinas velozes, bolsas de valores, guerras e diplomacias se movimentava.
Ela permanecia lá, inerte, caída ao chão.
Sabia que a família nem ligava de verdade para suas quedas. Ligavam mesmo para os diagnósticos vindos da lingua ferina da sociedade. Queriam também encontrar um Cristo para crucificarem. Depois da sangria, todos lavam seus instrumentos de tortura e nem mais lembram dos pecados do cordeiro. Um ritual antigo, selvagem e que ainda auxilia muito nos interesses humanos de uma sociedade contemporânea.
– Minha filha! – o pai iniciou a conversa. – Estamos muito preocupados contigo. Você já tem quatorze anos e tem as mesmas atitudes de quando tinha três anos de idade. Você não acha que passou da hora de mudar?
– Na verdade – interrompeu a mãe – decidimos que você está proibida de jogar-se ao chão! Você não tem doença alguma e sabe muito bem disso, não é mocinha!?
– Não é bem uma proibição. – tentou aliviar o avô – Queremos muito que você faça uma viagem, conheça outros lugares, outras pessoas. Não é saudável viver em uma rotina como a sua, sem falar que vive toda machucada.
Diana, não disse palavra. Ficou observando aqueles com quem convivera a vida toda. Sabia exatamente o que cada um representava em sua vida. E sabia mais: sabia que o pai as vezes entrava na dispensa de comidas e ficava horas e horas lá dentro com a empregada. Sabia que a mãe deixava o jardineiro da casa apalpar seus seios quando não tinha ninguém por perto e também que os irmãos fumavam maconha quando os pais não estavam em casa. O avô já não tinha segredos, todos sabiam que era um viciado em jogos de azar e um assíduo freqüentador de cassinos. Mas alguém teria que pagar pelos pecados da família e nada mais justo que fosse ela. Afinal, jogar-se ao chão é um erro imperdoável: pior do que cometer adultério ou ser um viciado em jogatinas e drogas.
– E então, minha filha. – prosseguiu o pai. – Não tem algo para dizer?
– Vocês estão certos. Tenho que crescer e para isso, nada melhor do que dar um fim aos meus péssimos hábitos. – Diana olhava nos olhos de cada um naquela mesa.
– Eu não disse que minha netinha já tinha crescido há muito tempo! – gritou o avô com a boca cheia de comida.
– Assunto encerrado, então! E nunca mais quero ouvir cometários sobre suas supostas quedas, certo mocinha? – ameaçou a matrona da família.
– Certo, mãe!
No quarto uma menina retoma seu esconderijo predileto
E isso era segredo dela
Enquanto o mundo com suas máquinas velozes, bolsas de valores, guerras e diplomacias se movimentava.
Ela permanecia lá, inerte, caída ao chão.
Sabia que a família nem ligava de verdade para suas quedas. Ligavam mesmo para os diagnósticos vindos da lingua ferina da sociedade. Queriam também encontrar um Cristo para crucificarem. Depois da sangria, todos lavam seus instrumentos de tortura e nem mais lembram dos pecados do cordeiro. Um ritual antigo, selvagem e que ainda auxilia muito nos interesses humanos de uma sociedade contemporânea.

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